ESCORRE

FICHA TÉCNICA

A performance Escorre remete à terra, ao pó e à lama como a origem da vida, mas também como seu fim. O barro, o barulho e o silêncio. A abundância de água e a aridez de uma terra seca. Num rito de procissão, mulheres caminham pelas ruas ocupando os espaços públicos com suas imagens terrosas, levando suas dores e entoando nomes. Nomes de pessoas desaparecidas que estão marcados em seus corpos. Elas também carregam em seus braços as memórias daqueles que se foram. Elas aguardam. Aguardam uma resposta, um ato de justiça, um gesto de conforto, pois trazem uma vida carregada de peso e de história marcada por uma terrível verdade.

Num conjunto de movimentos, criados a partir de fatos históricos, os corpos que atravessam a cidade e ocupam seus espaços trazem uma provocação, um pedido, uma súplica, uma ordem, um grito ou talvez apenas busquem um acalanto. Escorre é uma performance em dança que propõe uma reflexão e uma discussão sobre a culpabilidade dos acontecimentos em Brumadinho e em Mariana, uma vez que existe uma polarização sobre como devemos nomear tais acontecimentos: “tragédia ambiental” ou “crime ambiental”?

Escorre acontece como uma dança em movimento de cortejo que busca uma dialética entre sua dramaturgia e o contexto urbano. A arquitetura contemporânea é explorada pelas mulheres que caminham com suas bacias cheias de lama e que, inevitavelmente, deixam seus passos para trás marcados pelo barro em seus corpos.  Assim, a performance intervém no cotidiano dos pedestres, ciclistas, vendedores, mendigos e de qualquer transeunte que perceba os corpos que utilizam-se da geografia da rua para poetizar sobre fatos ocorridos nos últimos anos.

As bailarinas/performers invocam a dança-teatro de Pina Bausch, através dos movimentos cotidianos, e Bertold Brecht como uma forma de discutir e refletir sobre o conteúdo artístico apresentado. Toda a performance é feita em silêncio, sem trilha sonora eletrônica. Houve-se apenas o barulho da cidade, dos passos, da água e da lama. O trabalho estreou no final de 2015.

Montagem Coletiva

Coletivo de Artes Galegos&Frangalhos

Laboratório-Escola de Arte Popular

 

Direção Artística: Bruno Flores Prandini.

Direção Coreográfica: Felipe Davi

Elenco: Amanda Soares, Elisandra dos Santos, Fernanda Roggia, Jéssica Rodrigues, Jonara Cordova, Lua da Silva, Mirlaine Brasil, Mytiele Machado e Rosângela Ferreira.

Figurinos: Maria Prandini

Customização Visual dos Figurinos: Bruno Flores Prandini.

Elementos Cenográficos: O Coletivo

Dramaturgia: O Coletivo

Redes Sociais: Max Leidemer.